Oscar 2016 – Melhor Roteiro Original

tristezinha

Continuando (veja post anterior). Dessa vez com algumas considerações sobre a sempre espetacular e emocionante categoria roteiro original. Você está mais curioso para ver quais serão as piadas do apresentador Chris Rock sobre a #oscarssowhite ou saber quem vai ganhar o prêmio pelo melhor roteiro original? Então.

QUEM DEVERIA GANHAR – Seria uma atitude nobre e digna se os membros da Academia oferecessem a estátua para a animação da Pixar Divertida Mente. Além de ter sido o melhor filme do ano passado (mais sobre ele aqui), o roteiro de Pete Docter, Meg LeFauve e Josh Cooley (além de certamente vários outros cérebros do estúdio que deram pitacos) traz uma das personagens marcantes dos últimos anos. Sério, o que é a Tristeza? A animação mais humana e densa que os caras da Pixar já escreveram. Se um dia me pedirem para definir o que é a vida, vou apontar para a Tristeza (e não porque ela é melancólica, pessoal, mas sim pela complexidade e senso crítico de sua alma). Por incrível que pareça, é o único sentimento sensato nesse planeta. E se você não se convenceu, que tal oferecer o Oscar para Divertida Mente apenas por causa do Bing Bong? Não conheço nenhum animal (racional ou irracional) que não tenha chorado e se divertido com esse bicho carismático e louco.

QUEM VAI GANHAR – E agora vem aquele caso: “É, até que o prêmio está em boas mãos”. Tom McCarthy e Josh Singer devem vencer pelo texto do ótimo – mas difícil – Spotlight. Antítese perfeita de Divertida Mente, certo? Ao resumir o caso – divulgado pelos jornalistas do Boston Globe – dos padres que supostamente molestaram crianças em Boston, o filme consegue quase sempre fugir do melodrama rasteiro e do sensacionalismo (às vezes a música soa um pouco demais). Um longa coral (com muitos personagens principais) que não é chato, pois o tema principal (pedofilia) se sobressai. Um elenco extraordinário consegue dar foco a essa investigação jornalística e propõe um extraordinário jogo dramático, onde todos levantam a bola para o companheiro cortar. Na mão de açougueiros, Spotlight poderia se tornar uma terrível peça  de cenas grotescas e provocações estúpidas. Felizmente, o que vemos é uma obra densa, inteligente e de grande impacto (um trecho do roteiro aqui).

OS OUTROS – Eu sou apaixonado por diversas sequências de A Ponte dos Espiões e pela sua estrutura de dois grandes blocos (um nos EUA e o outro em Berlim; um mais verbal e o outro com ação e suspense). O roteiro de Matt Charman, Joel e Ethan Coen equilibra o feito histórico com diálogos espertíssimos. Uma narrativa de primeira, que oferece duas horas agradáveis (e tem Tom Hanks e Spielberg, pô).

Alex Garland faz algo bem impressionante em Ex Machina. Temos novamente uma história sobre a máquina superando o homem. Mas em vez daquele tradicional pesadelo futurístico e apocalíptico, conseguimos parar e pensar nos problemas e qualidades da inteligência artificial a partir do conflito de três personagens trancados numa casa. Parece chato? O filme é cheio de reviravoltas, sedução e suspense. Alicia Vikander é minha mais nova queridinha. Sua criação aqui lembra muito as meninas maravilhosas de Blade Runner. E Oscar Isaac será um dos grandes atores da sua geração.

Para fechar, Jonathan Herman, Adrea Berloff, S. Leigh Savidge e Alan Wenkus fazem o básico na cinebiografia Straight Outta Compton. As músicas já nos empolgam suficientemente. O texto é correto e a narrativa, ok. Tem por mérito saudar e relatar uma época fenomenal da música norte-americana, onde dinheiro e sucesso navegavam juntos e em quantidades pornográficas.

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